Domingo, Fevereiro 29, 2004

:: FREAKS - 1932 ::



Em 1932, Todd Browning, o genial mestre do horror por trás de várias parcerias com o enigmático Lon Chaney e o Drácula de Lugosi, faz outro filme espetacular: "Freaks". Trata-se de uma colisão terrível da normalidade com a anormalidade. Em um circo, Baclanova, uma artista de trapézio, casa-se com um Anão, devido a sua riqueza, planejando envenena-lo com a ajuda de seu amante, o levantador de pesos Vitor. O anão faz parte da segregada seleção de anomalias do circo: a mulher barbada, gêmeos siameses, um hidrocéfalo, um homem completamente amputado que podia apenas usar a sua boca, uma mulher com o crânio subdesenvolvido. Enfim, os deformados, a seção de horrores do circo. Logo, entretanto, eles descobrem o plano de Baclanova, e mutilam-a com facas, numa dantesca cena de horror, lentamente transformando ela mesma (a mais bela das mulheres do circo) em uma aberração. O filme causou polêmica quando lançado (Browning usou aberrações, ou pessoas realmente deformadas) e foi proibido na Inglaterra por trinta anos. Browning apresenta uma visão humanista do mundo, usando o tradicional "julgar pelas aparências" como seu tema central. As aberrações são vistas como inocentes, vítimas de uma sociedade que não as tolera e as separa como um câncer. Nossa repulsa inicial torna-se lentamente, compreensão.


*fonte*


:: Lady Bleu et Sang :: disse às 6:11 PM.



[poeta prematuro]

Prematuro poeta
Possui o dever
de ser sereia ao seu modo

às vezes manco
às vezes ilegítimo
Renuncia seu reino
mas reproduz suas crias
nos braços do moinho

Na velocidade púbere do vento

Diga à tribo
que o poeta desenfreado
costurou suas tules fúnebres
E permanecerá assinando o obituário desse
inóspito Cemitério

E que chuvisque uma doce água lilás


:: Lady Bleu et Sang :: disse às 3:46 PM.


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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004

[gangrena em mim]



Eu não consigo acreditar que ainda estamos juntos, mesmo depois de todos esses anos...Eu suponho que você possa chamar isso de orgulho civil, esse amor próprio que eu escondo. Solte-me, saia de mim, tire as mãos de mim meu ego! Você pensa que é precioso, mas eu acho que você é merda como eu! O inferno tem um bom lugar para nós dois... O diabo sempre tem alguma coisa pra nós. Um teatro no topo da cabeça, um grande movimento na batalha, um psicopata brincando com a sua dor de cabeça, uma oportunidade para aproximar-se de sua própria foto. Bem vindo ao meu sonho!!! Comece a interagir...



:: Lady Bleu et Sang :: disse às 2:41 PM.


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Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004

[a alma]




Flora nunca visitada espalha latidos e bafo.
Nunca ouvidos nunca respirados.
Faz parte da cidade, a estátua,
o limo, o mofo, a ponta da faca.
A detalhada veia perfurada.
O sexo e o carinho. Nunca.
Amor. De fato, jamais correspondido.
A alma que solta vagueia.
Procurando sua estrela.
Seu gozo macio. Libertador.

:: Lady Bleu et Sang :: disse às 4:55 PM.


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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

[ você, minha carne ]




Procuro nas tuas palavras um mapa. Na tua boca, uma lenda...Na tua forma estrábica, crio meu dicionário. E que teus vermes provem as delícias do meu lombo. Teus braços gordos fazem o macio da minha cama. Teu hálito gástrico me faz retornar ao vício de roer as unhas. Expulso de mim, você morre dentro das bocas dos jacarés. Teu labirinto, meu caro, tem fim no meu sexo.

:: Lady Bleu et Sang :: disse às 11:02 AM.


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Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004

[tristessa]



Já que estou aqui
à beira da sua maneira jovem
de se ajoelhar sobre meu túmulo
dispo-me...

Meu ser perfeito cheio de fantasmas
Já não olho mais as estrelas
já não desejo mais a lua
ela se entristeceu e rabiscou púrpura
essa noite

Tristeza.

Luto. Luto para não lembrar
Luto. Os loucos estão de luto.

Púrpura. Liberdade. Vento. Estrada.
Amo tanto essas palavras

que você me roubou.

:: Lady Bleu et Sang :: disse às 8:30 PM.


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Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004




[e temos nossas histórias]

Nossos joelhos esfolados, o sexo de fora. A língua afoita. No asfalto tosco. Temos a vista para o rio negro de pavor, para o delírio da tensão. Somos perturbados pelo luxo do vinho vagabundo. Do tapa incrustado na vergonha. Da delícia molhada na estrela que pulsa. A dor na tua nuca pelo suspiro da madrugada. Impune mais uma vez. A tua juventude que vomita e sacode os beiços. Te define como monstro podre que não vê beleza em nuvens. E aí você se esparrama. Se encosta no azulejo rebocado de vêemencias. Desnuda a face, suplica outro tapa. E nunca chega com a calça branca em casa...


:: Lady Bleu et Sang :: disse às 12:03 PM.


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Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004



[teu amor me apodrece]

eu me despedaço aos longos
dourados fios
tua forma, tua carne, tua mandíbula
teus meios incertos
teus ossos sem alma
teus olhos foscos


Teu amor me apodrece
ao longe.
Tapas me dividindo, beijos machucando, misérias nos unindo.
A força da tua estrela encralacada
dentro da minha literatura

Negro.

Força o meio.
O amor ardente, a calça já nos joelhos.
teu vermelho como meio de redenção....


:: Lady Bleu et Sang :: disse às 4:34 PM.


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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004



[picadeiro humano]


A vida é um circo. Com fantasias e muita maquiagem. E muita neve violeta. A vida é um picadeiro cheia de aberrações, os quais costumanos chamar de humanidade. E a morte é a perdição. Perdição para os anjos que terão que nos aturar. Nós carregamos tatuado em nossa pele, as mazelas que cometemos a nós mesmos. Quebramos corações, queimamos fotos, somos cruéis, e morreremos procurando algo que nunca conseguiremos segurar nos braços...somos todos anônimos, uniformes, iguais, porém cruciais. E isso chama-se realidade...


:: Lady Bleu et Sang :: disse às 5:02 PM.


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Terça-feira, Fevereiro 03, 2004



[além-de-mim]



E se me calo, é porque não tenho mais o que dizer, nem onde ir. Se desabo, e quebro, e me despedaço, voando pelo ar sem destino, sem consolo, sem pausa, é porque não tenho mais força. Não tenho mais saliva, estou insípida de amor, de prazeres, de destrezas. E a porta do bar brilha, quase que como mágica, o circo dos prazeres se abrindo, me engolindo, me comendo. Eu não posso, eu não quero, eu não resisto. Eu já estou bebendo, eu já estou me afogando, eu não devo, eu não respondo mais. Ao meu chamado, ao chamado de Deus, me jogam água na cara, eu já não acordo. Cheia de dúvidas que não existem mais, estou afogada, no auge dos mais diversos tipos sórdidos de bebida. Não me empurre, não me bata, minha ferida sangra, meu ego se denigre, eu já estou fora de mim. E além.


:: Lady Bleu et Sang :: disse às 5:54 PM.


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Domingo, Fevereiro 01, 2004


[fardo em minhas mãos]




Andava com uma mochila carregada de tijolos.
Tinha bolha nos pés, e crônicas que me acusavam.
Ele não vinha do céu, e não procurava uma razão.

Ele apenas apontava o dedo pra mim e dizia para que eu fechasse bem os olhos... Pois o corte é profundo e a carne é dura.



:: Lady Bleu et Sang :: disse às 7:12 PM.


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Poesia nuclear de Dani Blue Carneiro
Copie, mas cite a fonte e mantenha a autoria.
Entre em contato: danieletheone@hotmail.com

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