Terça-feira, Janeiro 25, 2005

[ johnny got his gun]

filme de Dalton Trumbo, de 1971

Sonhei noite passada com o filme Johnny Got His Gun de 1971, de Dalton Trumbo, ou "Johnny Vai à Guerra" em português. Preciso ver esse filme. Acabei sonhando com ele, após encontrar uma fita de vídeo muito antiga, do tempo que eu tinha mania de ficar gravando videoclipes nas madrugadas da MTV, e ainda não tinha interesse por bizarria fina. As tétricas cenas p&b do filme podem ser vistas no videoclipe da banda Metallica,"One", onde é possível entender o enredo devido a excelente edição do clipe. Na verdade "Johnny Got His Gun" é um romance escrito pelo próprio Dalton Trumbo, que foi escrito em 1939, mas só se transformou em filme nos anos 70.
Logo abaixo, deixo um texto para conhecimento sobre o filme encontrado nesse site.





"Johnny Vai à Guerra"
por Jr.Oliveira.

"Johnny Vai à Guerra foi escrito por Dalton Trumbo (Johnny Got His Gun) nos idos de 1939, transformado em filme em 1971. A história é um libelo contra a guerra. Trago hoje não por isso, mas por ser uma história horripilante. E o porquê trago uma história horripilante eu não sei, vou perguntar à minha analista.

Vi o filme há muitos anos atrás. Vou relatar o que lembro e acredito que algumas passagens sejam frutos da minha imaginação...

Johnny é um jovem soldado americano que vai a Primeira Grande Guerra e é atingido por uma granada. Ele fica totalmente mutilado perde os braços, as pernas e todo o rosto, no lugar do rosto, um imenso buraco. Fica incapacitado de ver, ouvir, falar ou sentir odores.

Os comandantes militares se perguntam se ele tem consciência do que se passa, ou do que se passou, mas acreditam que não. Porém, Johnny tem consciência de tudo.Com o passar do tempo, Johnny consegue reconhecer as estações do tempo através das sensações do seu corpo: o calor no verão, o frio do inverno, quando o tempo está úmido, ou quando está seco. Calcula o tempo que está naquele ambiente, um cálculo impreciso, já que os seus pensamentos e as lembranças de sua infância, da juventude, de seus familiares, de sua noiva, enfim, da vida que tinha antes de ir à guerra, começam a ser intercalados com delírios: às vezes Johnny esquece que está imobilizado numa cama para viver em devaneios.

Johnny também distingue as diferentes pessoas que estão à sua volta. Algumas enfermeiras cuidam dele com delicadeza. Outras com desleixo. Johnny percebe quando as enfermeiras se horrorizam ou se condoem, quando se afeiçoam ou quando simplesmente o ignoram. Uma enfermeira, em especial, trata Johnny com mais carinho, tocada por sua situação. Ela arreda a sua cama até a janela e abre o seu pijama para que o sol bata no seu corpo. Ele saboreia ao máximo este pequeno prazer, agradecendo em pensamentos os cuidados que recebe. Certa vez, quando ela o banha, percebe que Johnny ficou excitado. Condoída pelas impossibilidades dele, começa a masturbá-lo. E continua o masturbando durante os dias seguintes. Um dia, surpreendida, é prontamente substituída por outra que se limita a limpá-lo e a ficar sentada ao seu lado lendo. Nunca mais sentiu o sol.

Johnny passa os seus dias ora lembrando de sua vida perdida e percebendo o que acontece à sua volta, ora delirando que não está ali, ou que aquilo não passa de um pesadelo do qual irá logo se acordar. Certo dia Johnny lembra que aprendeu Código Morse na academia militar e que pode usá-lo para se comunicar. Começa a balançar o corpo freneticamente emitindo mensagens. As enfermeiras, assustadas, entendem que aquilo são apenas espasmos. Colocam a mão na sua testa, tiram a temperatura e a pressão e, por fim, lhe dão sedativos. Ele, em pensamentos, grita: "não! Por favor! Não me façam dormir!", se debatendo ainda mais. Porém, Johnny é vencido e cai em sono profundo.

Quando recobra a consciência, tenta novo contato. As enfermeiras pensam ser espasmos e lhe dão uma nova dose de sedativos. A cena se repete por diversas vezes até que, sem saberem mais o que fazer, chamam a junta de médicos militares.Os médicos, por sua vez, chamam o comandante e os oficiais.Estão reunidos em volta de Johnny intrigados com os seus espasmos até que um soldado percebe que eles seguem um padrão. Então ele diz: "senhor, isto é Código Morse! Ele está tentando se comunicar". O comandante, assustado, pede ao soldado que traduza a mensagem.

"S. O. S.", diz o soldado, - ele está pedindo socorro!".

"Converse com ele, soldado!", ordena o comandante.



Batendo com toques suaves e rápidos na testa de Johnny, o soldado pergunta o nome, posto, entre outras coisas. "Graças a Deus", pensa Johnny que responde a todas as perguntas. O espanto é geral e assustador: ele sempre teve consciência, ao invés de ser apenas um amontoado de carne, como pensavam. Depois de um breve interrogatório, Johnny começa a se debater continuamente enviando uma única mensagem: "eu quero morrer".

"Ele diz que quer morrer, comandante", diz assustado o soldado.

O comandante ordena que o soldado fale qualquer outra coisa para Johnny, mas Johnny não quer mais conversar. Fica somente repetindo o que lhe resta pedir, considerando a sua situação: "eu quero morrer, eu quero morrer, eu quero morrer!".

Os oficiais e os médicos se entreolham. O que fazer com Johnny? Seguem até o corredor para discutirem o delicado assunto. Decidem então que ele deverá ser mantido vivo, os oficiais querem estudar mais os efeitos da guerra.

Johnny, alheio a decisão, continua se debatendo, pedindo em Código Morse através de espasmos com o seu tronco sem braços nem pernas, que lhe acabem com o sofrimento. A enfermeira que o acompanha durante anos, resolve satisfazer o seu desejo. Ela se aproxima e acaricia a testa de Johnny com uma das mãos. Com a outra tranca o pequeno cano que leva ar diretamente ao seu pulmão. Percebendo que começa a sufocar, Johnny se acalma e agradece por lhe permitirem a liberdade. "Oh, Deu!", ele pensa, "como é bom o fim do sofrimento, obrigado, obrigado!", repete em pensamento.

O médico de plantão entra no quarto e surpreende a enfermeira. Corre e a empurra a tempo de salvar Johnny. "Não", pensa Johnny ao perceber o ar que lhe retorna a vida, "Não, por favor, eu quero morrer!", e começa a se agitar em desespero na cama.

Diante do medo das repercussões negativas que o caso possa causar, os oficiais acham melhor que Johnny fique mantido em segredo. Determinam que ele seja colocado em um quarto onde ninguém tenha acesso. As enfermeiras que mantinham contatos com Johnny serão transferidas e as novas receberão ordens para manter o mínimo de contato possível. As janelas nunca deverão ser abertas. Os arquivos eliminados. E os sedativos ministrados toda vez que Johnny ter "espasmos". Fim do filme.

Bem, para que a coluna não fuja da linha que tenho mantido durante todos esses anos, poderia sugerir para você olhar à sua volta (se não para você mesmo) e ver o quanto mães e pais sufocam os "espasmos" de vida dos seus filhos, tal qual o exército fazia com Johnny. É isso."


:: Lady Bleu et Sang :: disse às 10:40 PM.


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Domingo, Janeiro 23, 2005


[notas]

Pesquisei muito através do Google, e tenho o maior orgulho em confirmar que aqui no Sob as Luzes de um Posto de Gasolina, é o único lugar na Internet onde pode-se encontrar Pink Famingos e Miles Iz Ded no mesmo lugar. Incrível! Será que ninguém nunca percebeu a semelhança entre o filme de John Waters e o clipe do Afghan Whigs?!

Misteriosamente o Orkut consumiu com a minha comunidade dedicada ao psicopata e serial killer John Wayne Gacy Jr. Será que o Orkut não é chegado em psicopatas comedores de criancinhas?

:: Lady Bleu et Sang :: disse às 10:51 PM.


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Sábado, Janeiro 22, 2005

[miles iz ded]

Videoclipe da banda Afghan Whigs

Preto & Branco. Luzes estrobocópicas. Um quadro obssessivo de estranhos consumindo álcool e heroína em detalhes [desde o preparo com toda a parafernália como a colher, o fogo para o aquecimento, até finalmente a seringa ser injetada na veia] sem nenhuma cerimônia. Cenas fortes de uma mulher cortando o pulso, e outra consentindo ao estupro. Um casal fazendo sexo selvagem dentro de um banheiro imundo. O clipe dirigido por Philip Harder é a angustiante história que conta as aventuras do estranho personagem chamado Miles. O personagem principal, aparece primeiramente como um junkie, que enquanto se embebeda, usa toda a parafernália para se drogar. Depois ele é abordado vestido de mosca, dentro do banheirinho infernal, numa sequência em que a camêra passeia pelo teto do banheiro, em cores, mostrando cada flagra onde a decadência rola solta, e sem culpa alguma.

Logo após Miles surge vestido de galinha numa inexplicável viagem no side car de uma moto...Num parque de diversões pitoresco, com seu parceiro [o piloto da moto], em cenas de um amor sublime numa roda-gigante. O nome da música é um trocadilho com a frase "Miles is dead" [Miles está morto], referência à morte de uma das maiores influências da banda, o cantor Miles Davis. O clipe é uma obra prima da bizarria fina, e lembra em muito o filme "Pink Flamingos" de 1972, do diretor John Waters.



"Don't forget the alcohol"



"And all the things you do to me
we could exaggerate..."



"Crawled inside your mind
and got my hand into your pants"


A música "Miles Iz Ded", encontra-se "escondida" no álbum "Congregation", é a última música do disco e não é creditada. Além da bateria marcial que a abre de maneira claustrofóbica, a música é conhecida [e chamada] pelo refrão inexorável de "Don't forget the alcohol, ohh baby, ohh baby". Filmado inteiramente numa locação em Minneapolis em 1992, o clipe teve problemas com a MTV norte-americana, e foi censurado. No Brasil não tive nenhuma afirmativa de que ele exista na fitoteca da MTV.

Assista o clipe aqui.


:: Lady Bleu et Sang :: disse às 2:56 AM.


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Domingo, Janeiro 09, 2005


[as gêmeas siamesas Daisy e Violet Hilton!]




:: Lady Bleu et Sang :: disse às 2:22 AM.


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Aberrações da Natureza, Aberrações Humanas, Anomalias, Apocalipse, Arte Militar, Cadeira-Elétrica, Circo de Horrores, Coney Island, Corredor da Morte, De Humani Corporis Fabrica, Guerra, Humanidade, Jesus Cristo, Joel-Peter Witkin, John Wayne Gacy JR., Liberdade, Onirismo, Richard Avedon, Serial Killers, Volúpia


Arquivo



Poesia nuclear de Dani Blue Carneiro
Copie, mas cite a fonte e mantenha a autoria.
Entre em contato: danieletheone@hotmail.com

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